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quinta-feira, 1 de outubro de 2015

HISTÓRIA DE UMA BRASÍLIA - CAPÍTULO 17 - ENTRE 1994 E 1997 – SHOWZINHOS NA VILA


Olá meus queridos ! 

Estamos de volta com mais uma intrigante história da Brasa.

Nesses anos de 1994 a 1997, saíamos bastante a perambular pela noite Bertioguense. Éramos o terror das madrugadas (só que não)...

No período de férias de janeiro, a prefeitura de Bertioga costumava (não sei mais como é nos dias de hoje) fomentar e promover diversos shows noturnos, principalmente às sextas e aos sábados.

Estes shows aconteciam na orla marítima, na areia da praia ao ar livre, e eram em sua maioria abertos ao público, sem cobrança de ingresso.

Montava-se um palco na areia, com toda a parafernália de som e efeitos visuais, e as pessoas se aglomeravam ali em frente, ficando em pé mesmo. Uma parte das pessoas dançava, outra parte preferia curtir apenas a música.

Dessa forma, passaram pelas areias da orla Bertioguense vários cantores, cantoras e bandas dos mais variados gêneros musicais, com predominância do samba, pagode e música baiana, por se tratar de praia.

Dentre os ilustres, lembro-me de ver um épico show de Toquinho. Épico devido às condições climáticas daquela chuvosa noite de verão. O show estava excelente, e próximo ao final do show, quando estavam começando a tocar a mais famosa e querida das músicas dele - Aquarela, desatinou a chover um mundo de água sobre nossas cabeças, uma chuva torrencial que até machucava, surrando nossos ombros com pesadas gotas pluviais.

Nesse momento então, a música que começava foi bruscamente interrompida pela banda e isto desencadeou um intenso coro popular que bradava o famoso bordão imortalizado pelo nosso querido locutor esportivo Osmar Santos: "por que parou, parou por que ?". Prontamente o Toquinho respondeu ao microfone "Mas é que começou a chover, vocês não vão se proteger da chuva ?". O fato é que ninguém, praticamente ninguém se moveu, pois após um show inteirinho de MPB, muito bom mas um pouco cansativo, iria começar simplesmente a Aquarela de Toquinho e Vinicius ! Todos esperaram o show inteiro por isso (inclusive eu) !

Então a banda recomeçou a tocar, e todas as pessoas cantavam juntas em coro debaixo de uma verdadeira enxurrada vinda dos céus.

Durante a música a chuva foi aos poucos estiando. E ao seu término, o aplauso da platéia foi algo impressionante, efusivo, ensurdecedor. E ainda ouvimos o Toquinho nos agradecer por termos ficado ali, apesar de toda aquela água.

Outro show épico foi o da Gretchen (pasmem). Mas épico de forma inversa. Na verdade, eu nunca fui muito fã dela, e achei o show uma baita de uma porcaria. Ela cantando é uma excelente dançarina...rsrsrs... Mas é claro que se trata apenas de minha humilde e insignificante opinião.

Bem, quando combinávamos de ir nesses showzinhos, juntávamos nossa galerinha, e geralmente enchíamos 2 carros, sendo que um desses obviamente era a Brasa.

Lá chegando, estacionava a Brasa NA RUA !!!!!!! Meu Deus, como é que tive coragem de fazer isso por tantas vezes durante tantos anos ? Morria de medo ao extremo que a roubassem ou danificassem. Coitadinha, pobrezinha da Brasa. Eu ia fechando os vidros e as portas, e a pobrezinha já começava a chorar...

Trancava e saíamos andando, e a Brasa berrava, gritava, "volte por favor, não me deixe aqui...". É óbvio que somente eu escutava os gritos...

Hoje em dia eu não sou capaz nem de me imaginar fazendo uma coisa dessas.

Tudo bem, eu enchia ela de trancas e travas. Uma trava entre o câmbio e o freio de mão, outra trava entre o volante e o pedal de freio, e tinha uma corrente também, que eu nem me lembro mais onde costumava colocar, acho que eu passava ela pelo pedais de freio e embreagem e amarrava no banco do motorista, sei lá. Além disso, costumava tirar o "cachimbo" (rotor) do distribuidor, e levava no bolso, só por garantia.

Ou seja, se ainda assim a roubasse, acho que seria por marra mesmo. Quem teria tanto trabalho assim pra roubá-la ? Só se o ladrão fosse fanático por Brasas assim como eu... rsrsrs... Mas mesmo assim eu não conseguia ficar tranquilo enquanto não acabasse o showzinho e eu voltasse para o local estacionado. Dava sempre aquele frio na barriga quando estava chegando perto. "Será que ela está lá mesmo ?" Só ficava sossegado quando finalmente conseguia estabelecer contato visual. Ufa !

Bem, após todo esse ritual de (in)segurança, caminhávamos até o local do show.

Como em toda e qualquer baladinha, não poderiam faltar as bebidas para dar aquela descontraída (com moderação).

No caso dos showzinhos, elas eram vendidas em barraquinhas à beira da praia. E nós tínhamos desenvolvido o interessante hábito de frequentar sempre a mesma barraquinha. Como nós conseguíamos localizar sempre a mesma barraca em meio a tantas outras ?

Fácil, devido às características físicas do feliz proprietário da referida barraca. Quem aqui já viu o desenho do Pica-pau ? Acho que todos, não é ? Quem se lembra daquele personagem que é um leão-marinho e se chama Leôncio ? Aquele que é sempre atormentado pelo pica-pau ?

Pois é... Logo na primeira vez que fomos a essa barraquinha, a semelhança física com o personagem do Pica-pau foi algo que imediatamente nos chamou e muito a atenção.

Não deu outra. Foi assim que nasceu o lendário Tio Leôncio ! É isso mesmo, sempre que íamos aos showzinhos, lá chegando procurávamos pela sua barraquinha.

Tio Leôncio era um senhor que aparentava seus sessenta e poucos anos, cabelo branco, bigode igualzinho ao do Leôncio do pica-pau, também branco. Mas preparava bebidas como ninguém. Uma menção honrosa para a sua tradicionalíssima batida de coco. Tudo era preparado de maneira bucólica em um liquidificador movido a manivela !

As condições de higiene não eram as melhores. Certa vez, nós o flagramos coçando os cabelos do suvaco enquanto preparava a batida de coco. Depois desse dia, começamos a associar o excelente sabor das bebidas preparadas ao "temperinho especial" (a coçada de suvaco).

Tudo era preparado sem miserê. Dava um baita de um copão de uns 350ml e mais um "chorinho" colocado em um copinho de 200ml. E tudo isso por um preço tranquilamente acessível.

Bem, com esse "aditivo", ou talvez "combustível", é claro que ficávamos todos mais animadinhos e descontraídos.

E foi assim que Tio Lulu aqui que vos escreve protagonizou as mais impressionantes cenas dançantes musicais bertioguenses. A criatividade não tinha limites. Dançando propositalmente de uma forma tão engraçada quanto ridícula (só zuera mesmo), Tio Lulu dançava de várias formas possíveis e imagináveis, mas é claro, sempre muito respeitosamente, sem apelação. Dançava imitando hula-hula, faraós egípcios, Tony Manero (pra quem não sabe, John Travolta em "Embalos de Sábado à Noite"). Eu na verdade não sei e nunca soube dançar, sou super-hiper-descordenado e desajeitado pra isso, não levo o menor jeito pra dança.

Isso rendia gargalhadas de todos os presentes, e animava o ambiente (modéstia à parte). E assim as horas passavam voando.

Quando finalmente era hora de ir para casa, a caminhada entre o showzinho e o local estacionado parecia interminável. Dava vontade de sair correndo. A ansiedade por ver se a Brasa ainda estaria lá costumava atingir níveis estratosféricos ! 

Quando finalmente chegava ao local e via que ela continuava lá toda imponente, lindona, esperando por mim, nossa, dava um alívio tão grande, parecia que tinha acabado de tirar o pai da forca...

Aí demorava uns 5 minutos só pra tirar todas as trancas e colocar de volta o cachimbo (rotor) no distribuidor !

Bem, assim aconteciam com alguma frequência nos verões esses memoráveis e inesquecíveis episódios, também a bordo da Brasa !

Até o próximo capítulo pessoal !


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