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ESTE É MEU BLOG DE CARRO COM HISTÓRIAS VERÍDICAS VIVIDAS A BORDO DE UM VW BRASILIA 1977 QUE ME ACOMPANHA DESDE 1979 QUANDO EU TINHA APENAS 4 ANOS.

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quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

HISTÓRIA DE UMA BRASÍLIA - CAPÍTULO 21 - 1998 – A MUDANÇA DA TONALIDADE

Estou de volta meus queridos, para mais uma das histórias da Brasilia !

Esta história não será tão movimentada como as anteriores, mas não deixa de ser uma bela história de amor e cumplicidade com a Brasa.

O ano era 1998, ano de acontecimentos importantes em minha vida. Em julho desse ano eu estava concluindo meu curso de graduação em Engenharia Mecânica. Quando você se forma em um curso de graduação, é comum querer comemorar. Geralmente há um evento de colação de grau, onde ocorre a entrega dos diplomas. E na sequência a festa de formatura. Quem não participa do evento, pega o diploma na própria secretaria da faculdade mesmo, nos dias seguintes.

Como todo evento, tanto a festa como a colação de grau custam dinheiro, e não é pouco.

Muitos também acabam fazendo uma viagem logo após a formatura.

Meu pai queria que eu participasse da colação de grau. Eu não quis nada disso quando me formei, pois além de achar tudo isso uma puta "encheção de saco", também sempre achei isso um baita desperdício de dinheiro.

Invés disso tudo, resolvi fazer algo que há algum tempo já sonhava: pintar a Brasa, alterando a tonalidade de seu vermelho, que de "vermelho málaga" passaria a ser "vermelho ferrara" (quase um Ferrari...).

Vejam nas fotos abaixo a diferença entre as cores:

ANTES



DEPOIS

A pintura dela já estava bastante gasta e queimada, já dava pra começar a ver vestígios da tinta primer cinza que estava por baixo.

Sempre gostei de fazer tudo na Brasilia, evitava ao máximo mandar em oficinas, e sempre fui muito curioso e gostava (e gosto) de aprender as coisas. Por isso resolvi que tentaria pintá-la com minhas próprias mãos.

Até mais ou menos o ano de 2001 ou 2002, havia uma garagem nos fundos da casa de meu pai onde havíamos improvisado uma oficina com muitas e muitas ferramentas. Era a garagem onde a Brasa ficava guardada, e era bastante isolada do restante da casa, então dava pra fazer barulho e sujeira à vontade.

Naquela época, havia um compressor de ar bastante antigo nessa garagem, nem me lembro de onde veio. Funcionava com uma certa dificuldade, o motor elétrico já dava sinais claros de cansaço e não conseguia passar das 60 libras de pressão. O reservatório de ar era muito pequeno, e como o motor era fraquinho (acho que 0,5CV), demorava alguns minutos pra encher o reservatório e uns 10 segundos pra esvaziar. Ou seja, não era nada produtivo. E a área que dava pra aplicar a tinta neste curto espaço de tempo era pequena.

Apesar do equipamento precário, minha boa vontade e ansiedade falaram mais alto e decidi comprar as tintas e o material necessário. Lixas, massa para acabamento, thinner, tinta primer e a tinta final na cor "vermelho ferrara", ambas do tipo "laca nitrocelulose", ou "duco" como os funileiros costumam se referir.

Depois de escutar alguns conselhos de meu pai (que também nunca havia pintado) e de várias outras pessoas, parti para o ataque.

Primeiramente, retirei todos os componentes fixados à carroçaria que poderiam atrapalhar (só não removi os vidros).

Então iniciei o trabalho, e por uma parte super-chata: lixar a pintura antiga para tirar o brilho que ainda restava (isso melhora a aderência da tinta primer). Gastei o restante do dia lixando, até ficar com os braços doendo e bolhas nas mãos. Que chatice ! Mas a superfície já estava preparada para receber as camadas de tinta primer.

Feito isso, no dia seguinte comecei a chegar às vias de fato. Misturei a tinta primer ao thinner, diluindo aproximadamente na proporção indicada na lata da tinta. Mas como eu não dispunha de um viscosímetro para apurar a mistura, foi no "achômetro" mesmo.

Peguei um pedaço de chapa e comecei a aplicar para teste. A mistura estava muito pobre, tinha solvente demais e estava ficando sem cor. Então acrescentei mais tinta primer, testei novamente e parecia estar bom.

Comecei então a aplicar a tinta primer no carro. Iniciei pelo teto. Procurava aplicar a camada bastante fininha, passando a pistola com uma certa rapidez para que não escorresse.

Demorei horas para aplicar 2 demãos no carro inteiro, afinal, como disse lá no início, o compressor era muito precário.

Depois parti para a parte mais chata de uma pintura: o lixamento.

Mais umas horinhas gastas e o dia acabou. Após lixar a tinta primer, o resultado sob a péssima iluminação da oficina parecia satisfatório.

No dia seguinte, acordei com disposição e fui para a parte mais impactante: a aplicação da tinta de acabamento na nova cor Vermelho Ferrara. Exatamente a partir daí que o resultado começaria a aparecer, que é o que realmente interessa.

Novamente misturei a tinta ao thinner conforme recomendado na lata, mas por não dispor do copo de medição de viscosidade, fui ajustando a mistura na raça mesmo.

Feito isso, parti para o ataque. Comecei a aplicação e, conforme ia cobrindo as áreas, já ia observando o resultado da nova cor, e percebi que a cor ficaria linda !

Continuei aplicando, sempre procurando aplicar uma camada bem fina para que não escorresse. Para isso, deixei a tinta com uma grande quantidade de thinner, no limite para não prejudicar a cor.

Apliquei 3 demãos. Isso me consumiu um dia inteirinho. Dessa forma, tive que deixar o lixamento (a hora da verdade) para o dia seguinte.

No dia seguinte pulei da cama com uma disposição de quem se prepara para receber sozinho o prêmio da mega-sena.

Tomei café e corri como uma criança para a oficina.

Peguei as folhas de lixa 400, uma vasilha com água e comecei o calvário. Percebi que a pintura não havia ficado brilhante, mas imaginei que após lixar e polir ela ficaria.

Quando olhei de perto, o que vi me assustou. A pintura estava toda ela parecendo uma casca de laranja, toda cheia de poros. E os poros eram fundos. Iria ter que perder um super tempo lixando.

Bem, acho que se tratava de uma laranja muito grande para ser consumida... E tampouco pensava em espremê-la para extrair o suco.

Então comecei pelo único lugar que dava para começar: pelo começo.

Escolhi uma área de uns 20x20cm na lateral e iniciei o lixamento com lixa 120 para rebaixar os poros, passando depois a lixa 400 com água para deixar a pintura bem lisinha. Feito isso, peguei uma lata de massa de polir número 2 da Pérola e apliquei sobre a área lixada para testar e ver como ficaria o resultado final do trabalho.

Para meu desespero, após remover a cera e dar o polimento, a pintura não brilhou !!! E estava meio desbotada !!!

Repeti umas 10 vezes o procedimento, sem sucesso, as tentativas foram completamente infrutíferas, e logo já estava começando a aparecer a tinta primer.

Fiquei horrivelmente desanimado e entristecido. Alguma coisa havia dado errado, e muito ! Ficava olhando para aquilo sem reação.

No final daquele dia mostrei para o meu pai. Ele viu e ficou com pena de mim, então disse que mandaríamos ela em uma oficina de funilaria e pintura para que fosse executado corretamente o serviço. Ele me disse para pesquisar preços e prazos, e eu saí à procura.

Depois de pesquisar, escolhemos uma "oficininha de fundo de quintal", onde me cobrariam R$600,00 por reparos na funilaria (principalmente nas canaletas de encaixe dos vidros) e pintura completa.

Como havia acabado de me formar e ainda não estava trabalhando, pude acompanhar o andamento do trabalho todos os dias, um pouquinho por dia.

Eu costumava ir na parte da tarde e ficava mais ou menos uma hora lá olhando e comentando. O trabalho estava ficando bom. Achava que ficaria como eu queria.

Após longos e aproximados 30 dias de espera, A Brasa ficou finalmente pronta. UM ENCANTO ! Novinha em folha, a pintura (agora sim) brilhando e tinindo ! Apesar de ser uma oficina pequena, o serviço havia sido muito bem executado.

Pagamos e fui dar a partida nela. Segundo o funileiro, desde o dia em que eu havia deixado ela lá, não foi dada uma partida sequer.

Girei a chave e tentei. Tentei umas 5 ou 6 vezes e nada, e além disso a bateria começou a descarregar. Por sorte a saída da oficina era em uma descida. Apenas soltei o freio de mão e deixei que a natureza fizesse o restante. Comecei então a dar os "trancos" para fazê-la pegar. Foi difícil. O ideal teria sido levar gasolina para jogar nos carburadores. Já havia virado na primeira rua à direita e nada dela pegar. Depois de uns 50 metros mais e já quase perdendo as esperanças, eis que ela finalmente funcionou. Logo já acelerei bastante e mantive o pé no acelerador.

Saí dirigindo ela todo contente, e ainda depenada, pois eu a levei assim na oficina. Chegando em casa, montei de volta todos os componentes que eu havia retirado.

Loucuras de um verdadeiro apaixonado ! E apenas quem é apaixonado por carros antigos é que consegue compreender !

Pois na verdade, paixão não se explica, apenas se sente !

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